quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Reflexões de Fidel

A Revolução Bolivariana e a paz

• EU conheço bem Chávez; ninguém como ele seria mais renuente a derramar sangue de venezuelanos e colombianos, dois povos tão irmãos como os cubanos que vivem no leste, no centro e no extremo oeste da nossa Ilha. Não tenho outra forma de exprimir o grau de irmandade que existe entre venezuelanos e colombianos.

A caluniosa imputação ianque de que Chávez planeja uma guerra contra a vizinha Colômbia levou um influente órgão de imprensa colombiano a publicar no domingo passado, 15 de novembro, sob o título "Tambores da guerra", um desdenhoso e injurioso editorial contra o presidente venezuelano, onde se afirma, entre outras questões, que "a Colômbia deve levar bem a sério a mais grave ameaça a sua segurança em mais de sete décadas, pois foi feita por um presidente que, além disso, é de formação militar..."

"A razão – continua – é que cada vez são maiores as possibilidades de uma provocação, que pode ir desde um incidente fronteiriço até um ataque contra instalações civis ou militares na Colômbia."

Mais adiante, o editorial acrescenta como algo provável "...que Hugo Chávez intensifique seus ataques contra os ‘esquálidos’ — alcunha com que chama os seus opositores – e tente tirar do poder municipal ou regional a quem o contradiz. Já o fez com o prefeito de Caracas... e agora quer fazê-lo com os governadores dos estados fronteiriços com a Colômbia, que se recusam a se submeterem a sua autoridade... Um confronto com forças colombianas ou a acusação de que elementos paramilitares planejam ações no território venezuelano pode ser o pretexto de que precisa o regime chavista para suspender as garantias constitucionais."

Tais palavras apenas servem para justificar os planos agressivos dos Estados Unidos e a grosseira traição da oligarquia e da contrarrevolução na Venezuela contra a sua Pátria.

Coincidindo com a publicação desse editorial, o líder bolivariano tinha escrito o seu artigo semanal em "As linhas de Chávez", no qual julga a impudica concessão de sete bases militares aos Estados Unidos em território da Colômbia, o qual tem 2.050 quilômetros de fronteira com a Venezuela.

Nesse artigo, o presidente da República Bolivariana explicou com coragem e lucidez sua posição.

"...eu disse-o nesta sexta-feira, no ato pela paz e contra as bases militares dos Estados Unidos em terra colombiana: tenho a obrigação de fazer um apelo a todos para nos prepararmos para defender a Pátria de Bolívar, a Pátria dos nossos filhos. Se não o fizesse, estaria cometendo um ato de alta traição... A nossa Pátria é hoje livre e vamos defendê-la com a vida. A Venezuela nunca mais será colônia de ninguém; nunca mais se ajoelhará diante do invasor ou de qualquer império... o gravíssimo e transcendental problema que tem lugar na Colômbia não pode passar despercebido pelos governos latino-americanos..."

Mais adiante acrescenta conceitos importantes: "...todo o arsenal bélico ianque, contemplado no acordo, responde ao conceito de operações extraterritoriais... torna o território colombiano um gigantesco enclave militar ianque..., a maior ameaça à paz e à segurança da região sul-americana e de toda Nossa América."

"O acordo... impede que a Colômbia possa dar garantias de segurança e de respeito a ninguém; nem sequer aos colombianos e às colombianas. Um país que deixou de ser soberano e que é instrumento do ‘novo colonialismo" vaticinado pelo nosso Libertador, não pode dá-las."

Chávez é um verdadeiro revolucionário, pensador profundo, sincero, corajoso e trabalhador incansável. Não galgou o poder mediante um golpe de Estado. Revoltou-se contra a repressão e o genocídio dos governos neoliberais que entregaram os enormes recursos naturais do seu país aos Estados Unidos. Sofreu prisão, alcançou maturidade e desenvolveu suas ideias. Não assumiu o poder por meio das armas, apesar de sua origem militar.

Possui o grande mérito de ter iniciado o difícil caminho de uma revolução social profunda, a partir da denominada democracia representativa e da mais absoluta liberdade de expressão, quando os mais poderosos recursos da mídia do país estavam e estão nas mãos da oligarquia e a serviço dos interesses do império.

Em apenas onze anos, a Venezuela conseguiu os maiores avanços educacionais e sociais alcançados por um país no mundo, apesar do golpe de Estado e dos planos de desestabilização e descrédito perpetrados pelos Estados Unidos.

O império não decretou bloqueio econômico à Venezuela —como o fez em Cuba — após o fracasso de seus golpes sofisticados contra o povo venezuelano, porque se teria bloqueado a si mesmo, devido a sua dependência energética do exterior, mas não renunciou ao seu objetivo de destruir o processo bolivariano e o seu generoso apoio com recursos petroleiros aos países do Caribe e da América Central, suas amplas relações de intercâmbio com a América do Sul, a China, a Rússia e numerosos Estados da Ásia, da África e da Europa. A Revolução Bolivariana goza de simpatias em amplos setores de todos os continentes. Dói especialmente ao império suas relações com Cuba, depois de um bloqueio criminoso ao nosso país, que já data de meio século. A Venezuela de Bolívar e a Cuba de Martí, através da ALBA, promovem novas formas de relações e intercâmbios sobre bases racionais e justas.

A Revolução Bolivariana tem sido especialmente generosa com os países do Caribe em momentos extremamente graves de crise energética.

Na nova etapa atual, a Revolução na Venezuela encara problemas completamente novos que não existiam quando, há quase exatamente 50 anos, triunfou a nossa Revolução em Cuba.

O tráfico de drogas, o crime organizado, a violência social e o paramilitarismo mal existiam. Nos Estados Unidos ainda não havia surgido o enorme mercado atual de drogas que o capitalismo e a sociedade de consumo criaram nesse país. Para a Revolução, não significou um grande problema combater o tráfico de drogas em Cuba e impedir sua introdução na produção e no consumo das mesmas.

Para o México, a América Central e a América do Sul, estes flagelos significam hoje uma crescente tragédia que está longe de ter sido ultrapassada. Ao intercâmbio desigual, ao protecionismo e ao saque de seus recursos naturais, somaram-se o tráfico de drogas e a violência do crime organizado que o subdesenvolvimento, a pobreza, o desemprego e o gigantesco mercado de drogas dos Estados Unidos criaram nas sociedades latino-americanas. A incapacidade desse país imperial e rico para impedir o tráfico e o consumo de drogas deu lugar em muitas partes da América Latina ao cultivo de plantas, cujos valores como matérias-primas para as drogas ultrapassavam muitas vezes o dos demais produtos agrícolas, criando gravíssimos problemas sociais e políticos.

Os paramilitares da Colômbia constituem hoje a primeira tropa de choque do imperialismo para combater a Revolução Bolivariana.

Precisamente, por sua origem militar, Chávez sabe que a luta contra o narcotráfico é um pretexto vulgar dos Estados Unidos para justificarem um acordo militar que responde inteiramente à conceição estratégica desse país no fim da Guerra Fria, para estender seu domínio do mundo.

As bases aéreas, os meios, os direitos operativos e a impunidade total dada pela Colômbia a militares e civis ianques no seu território, não têm nada a ver com o combate ao cultivo, à produção e ao tráfico de drogas. Este é hoje um problema mundial; estende-se não apenas pelos países da América do Sul, mas também começa a se estender pela África e por outras áreas. No Afeganistão já reina, apesar da presença em massa das tropas ianques.

A droga não deve ser um pretexto para instalar bases, invadir países e levar a violência, a guerra e o saque aos países do Terceiro Mundo. É o pior ambiente para criar virtudes cidadãs e levar educação, saúde e desenvolvimento a outros povos.

Enganam-se os que acreditam que dividindo colombianos e venezuelanos terão sucesso em seus planos contrarrevolucionários. Muitos dos melhores e mais humildes trabalhadores da Venezuela são colombianos e a Revolução lhes deu educação, saúde, emprego, direito à cidadania e outros benefícios para eles e seus entes mais queridos. Todos eles juntos, venezuelanos e colombianos, defenderão a grande Pátria do Libertador da América; juntos lutarão pela liberdade e pela paz.

Os milhares de médicos, educadores e outros cooperadores cubanos que cumprem seus deveres internacionalistas na Venezuela estarão junto a eles!



Fidel Castro Ruz

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

PASSEIO POR HAVANA

PASSEIO POR HAVANA

Frei Betto




Havana, nesta época do ano, é banhada por suave temperatura. O calor é amenizado pelo hálito de frescor que sopra das águas azuladas por trás do Malecón. A umidade reflui, embora a população se mantenha atenta à meteorologia: outubro e novembro são meses de furacões. Ano passado, ceifaram quase 20% do PIB, hoje calculado em US$ 50 bilhões.

Não há sinal de que o desastre se repita este ano. Impossível, contudo, prever as reações vingativas de Gaia, cruelmente estuprada por nossa ambição de lucro e solene desprezo à mãe ambiente.

A visita à Cuba, na penúltima semana de outubro, não tinha agenda de trabalho. Fui a convite do querido amigo José Alberto de Camargo que, para comemorar aniversário, escolheu a cidade reencantada pela literatura de Lezama Lima, Alejo Carpentier e Nicolás Guillén.

A comitiva (comitiva do coração) incluiu os jornalistas Chico Pinheiro e Ricardo Kotscho, este acompanhado de Mara, sua mulher. Alojados no octogenário Hotel Nacional, brindamos o desembarque com o daiquiri de La Floridita, onde Hemingway tomava seus porres. Visitamos a casa de praia em que ele morou e escreveu “O velho e o mar”, bem como o Hotel Ambos Mundos, no qual viveu seis anos e redigiu “Por quem os sinos dobram”.

Foram dias de boa culinária caribenha no El Templete, à beira do porto, e em El Oriente, frequentado por Saramago e García Márquez. Entre mojitos e o aroma perfumado dos charutos Cohiba, cuja fábrica percorremos, mantivemos proveitosas conversas com cidadãos anônimos e autoridades do país, como Ricardo Alarcón, presidente da Assembleia Nacional; Eusébio Leal, historiador da cidade (e responsável pela restauração da área colonial de Havana); Homero Acosta, secretário do Conselho de Estado (no qual se congregam ministros e dirigentes do país); Armando Hart, do Centro de Estudos Martianos; Abel Prieto, ministro da Cultura; e Caridad Diego, responsável pelo Gabinete de Assuntos Religiosos (que cuida da relação entre Estado e denominações confessionais).

Permaneci um dia a mais para encontrar-me com Raúl Castro, atual presidente, com quem almocei no sábado, 24, e Fidel que, na tarde do mesmo dia, me recebeu em sua casa, com direito a jantar.

Cuba se encontra grávida de si mesma. Após 50 anos de Revolução, é hora de analisar erros e impasses. Mira-se o passado para enxergar melhor o futuro. Em 2010, o 9º congresso do Partido Comunista deverá submeter o país à verificação de suas contradições e elaboração de novas estratégias, sobretudo no que concerne à economia e à emulação ética.

Engana-se quem supõe Cuba retrocedendo ao capitalismo. Ainda que se multipliquem aberturas à economia de mercado, devido à globalização e o mundo unipolar hegemonizado pelo neoliberalismo, não interessa à Ilha priorizar a acumulação privada da riqueza em detrimento da maioria da população. A América Central é o espelho no qual Cuba não quer se ver: ali os índices de violência são, hoje, os mais altos do mundo, com 23 assassinatos/ano por cada grupo de 100 mil habitantes. No Brasil, o índice é de 31/100 mil e, em Cuba, 5,8/100 mil. Basta dizer que, no Rio, a polícia matou, em 2007, 1.330 pessoas. No ano anterior, em todo os EUA foram mortas pela polícia 347 pessoas.

Os cubanos são conscientes de as falhas do país não poderem ser todas atribuídas ao criminoso bloqueio imposto, há mais de 40 anos, pela Casa Branca (e, agora, em vias de distenção pela administração Obama).

A manutenção, por longo tempo, de medidas justificadas pela Guerra Fria, começa a ser questionada. É o caso do caráter paternalista do Estado que assegura, a 11 milhões de habitantes, gratuitamente, cesta básica, saúde e educação de qualidade.

Por essa razão, a qualidade de vida em Cuba, onde o analfabetismo está erradicado, figura em 51º lugar, entre 182 países, no Índice de Desenvolvimento Humano 2009, da ONU. O Brasil mereceu a 75ª classificação. Não se cogita alterar o direito universal e gratuito à saúde e à educação. Porém, a redução dos subsídios à alimentação deverá coincidir com o aumento de salários e da produtividade agrícola, de modo a diminuir a importação de 80% dos alimentos consumidos.

Busca-se solução a curto prazo para a duplicidade de moedas: o CUC adquirido pelos turistas (evita o câmbio paralelo e a evasão de divisas) e o peso utilizado pelo cidadão cubano. O turismo, ao lado da exportação de níquel, é das principais fontes de arrecadação de Cuba que, com tamanho 64 vezes inferior ao Brasil, recebe 2,5 milhões de turistas por ano, metade dos que desembarcam em nosso país no mesmo período.

Toda a América Latina se opõe, hoje, ao bloqueio e apoia a reintegração de Cuba nos organismos continentais. A questão política mais relevante nas relações internacionais é a urgente libertação dos cinco cubanos presos nos EUA desde 1998, condenados a penas elevadíssimas, acusados – acreditem! – de evitar atos terroristas. Os cinco lograram abortar 170 atentados planejados contra Cuba dentro da comunidade cubana de Miami.

Fernando Morais, com quem jantamos em Havana, promete lançar, em 2010, livro em que conta a esdrúxula história do processo movido pela Justiça usamericana contra os cinco cubanos.

PS: A quem possa interessar: Fidel goza de muito boa saúde e excelente bom humor.



Frei Betto é escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Analista uruguaio destaca negado recorde ao bloqueio a Cuba

Montevidéu, 30 out

O analista internacional do jornal uruguaio La República Niko Schvarz destaca hoje o crescimento da votação na ONU contra o bloqueio a Cuba, como um fato que reveste extraordinária significação internacional.

"Parecia difícil que pudesse superar a votação do ano passado a respeito disso que arrojou 185 votos a favor, 3 contra e duas abstenções. A margem para crescer era muito exíguo já que há 192 países na ONU. No entanto, isso ocorreu", sublinha.

Schvarz recorda que em 18 destas votações realizadas na ONU desde 1992, a cifra de opositores ao bloqueio tem crescido em forma ininterrupta, sem nenhuma exceção.

Em um artigo afirma que se reproduziram os votos dos EUA, Israel e Palau contra a resolução anti-bloqueio e se abstiveram as ilhas Micronésia e Marshall, que em ocasiões anteriores votaram contra ou se abstiveram.

Esclarece que as três nações insulares são em realidade protetorados estadunidense no Oceano Pacífico, que tem ali bases militares e têm sido campos de provas nucleares. Schvarz comenta que apesar de se produzir durante quase uma vintena de anos votações sobre o tema, todas contundentes no mesmo sentido, nada tem mudado.

"É realmente aberrante. Não há outro caso igual no mundo, e que se mantenha durante tanto tempo: 47 anos a partir da proclamação Presidencial assinada pelo presidente John F. Kennedy o 7 de fevereiro de 1962", sublinha.

Essa Proclamação - abunda- acentuou suas projeções extraterritoriais com a lei Torricelli assinada por (George) Bush pai em 1992 e a lei Helms-Burton promulgada por (William) Clinton em 1996.

O comentarista do citado jornal sublinha que Cuba é o único país que sofre uma agressão permanente deste tipo.

"Esta circunstância coloca em entredito todo o sistema das Nações Unidas e sua capacidade de decisão, incluindo a integração do Conselho de Segurança e o direito de veto de algumas potências", remarca.

Partido Comunista Francês aplaude condenação a bloqueio contra Cuba

Paris, 30 out (Prensa Latina) O Partido Comunista Francês (PCF) aplaudiu hoje a condenação pela décima oitava ocasião do bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba no seio da Assembleia Geral das Nações Unidas, segundo um comunicado oficial.

O PCF saúda este voto positivo, chama ao respeito das Resoluções da ONU sobre esta questão de direito, democracia e soberania, afirmou a nota.

Destacou que apesar dos chamados reiterados dos países da América Latina e da comunidade internacional em favor de uma supressão total do cerco econômico, financeiro e comercial à ilha caribenha, o bloqueio persiste.

"É anacrônico e desumano. Priva à população do acesso aos equipamentos e às tecnologias necessárias para os serviços de saúde. Dificulta as relações com as instituições financeiras e bancárias e cria obstáculos ao comércio de bens e serviços", anotou.

O PCF recordou que as medidas lançadas pelo presidente Barack Obama sobre Cuba não significam em modo algum uma mudança em torno da política de hostilidade com o bloqueio.

Por outra parte, a organização política francesa opinou que com a futura presidência semestral da Espanha na União Europeia deveria se pôr fim à chamada Posição Comum do bloco comunitário.

Igualmente deveria estabelecer-se uma relação normal de cooperação mutuamente vantajosa em favor do desenvolvimento de Cuba, sem condições nem ingerências, afirmou o PCF.

Qualificam de fracassada política dos Estados Unidos contra Cuba

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Fausto Triana
Paris, 30 out

Um destacado jornalista cubanoamericano residente em Miami qualificou hoje de fracassada a política dos Estados Unidos contra Cuba, exigiu o fim do bloqueio e a libertação dos cinco lutadores antiterroristas.
Em um coloquio em Paris, Andrés Gómez, diretor da revista Areíto digital e fundador da brigada Antonio Maceo, disse que a nova condenação em Nações Unidas ao cerco econômico de Washington contra a ilha caribenha demonstra a rejeição mundial a essa medida.
"Para mim é extraordinário que 187 países repudiem o bloqueio, o qual se soma a um consenso hemisférico que deplora as linhas traçadas pela Casa Branca ao longo dos anos, apesar das ações ainda em curso da ultradireita", enfatizou.
O integrante do Comitê Internacional pela Libertação dos Cinco (os luchadores antiterroristas cubanos que permanecem em cárceres estadunidenses há 11 anos), admitiu que a burocracia dificulta mudanças na política de Washington.
"Temos o caso de Antonio Guerrero, Ramón Labañino, René González, Gerardo Hernández e Fernando González, que como evidenciam seus processos, buscavam detectar atividades terroristas contra Cuba planificadas em Miami", comentou.
Conhecem-se as arbitrariedades dos casos, os manejos políticos e a certeza de que personagens violentos organizaram ações, e ainda seguem o fazendo, para minar à Revolução cubana e até assassinar a seus dirigentes, acrescentou.
Gómez disse que diante deste espectro e outras vertentes, o presidente Barack Obama demonstra sua boa vontade de mudanças, ainda que por enquanto não concretizou nada transcendental e pareceu atrapalhado pelas armadilhas da política nos Estados Unidos.
"O verdadeiro é que há 30 anos foi assassinado em Porto Rico nosso colega Carlos Muñiz Varela e seus assassinos passeiam pelo sul da Flórida impunemente, enquanto os Cinco são prisioneiros", lamentou.
Avaliou assim o processo de re-sentença que já deu um ligeiro benefício a Antonio Guerreiro e pelo qual aguardam agora Ramón Labañino e Fernando González.
"De qualquer forma, ficou claro que toda a solidariedade internacional que fazemos, vocês aqui na França e nós lá, tem um peso relevante e serve de muito, para pressionar até ver livres aos Cinco", apontou Gómez.
Na atividade estiveram presentes Charly Bouhana, do grupo CubaSiFrance, a Coordenadora de Defesa da Revolução e o conselheiro da embaixada da Ilha na França, Leyde Ernesto Rodríguez.

Imprensa vietnamita faz sua rejeição ao bloqueio a Cuba

Hanói, 30 out

A imprensa vietnamita rejeitou hoje na ONU o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, ao qual qualificou de"injusto, desumano e obsoleto", de acordo com o diário Quan Doi Nhan Dan.
Ao despir os motivos do bloqueio, o rotativo do Exército Popular do Vietnã recordou que antes da revolução, Estados Unidos controlava 70 por cento das terras cultiváveis e três quartas partes da indústria da nação caribenha.
Politicamente, a vitória de Cuba converteu-se em um excelente exemplo para a luta de independência dos países da África e América Latina, algo inaceitável para sucessivas administrações norte-americanas.
Todos os jornais de circulação nacional, a rádio e a televisão colocaram em suas manchetes internacionais a aplastante votação de 187 dos 192 Estados membros da ONU, em apoio à resolução cubana sobre a necessidade de pôr fim ao cerco imposto por Washington há quase 50 anos.
Nhan Dan, órgão oficial do Partido Comunista (PCV), destacou por sua vez que além das críticas do embaixador vietnamita nas Nações Unidas, Le Luong Minh, à política estadunidense para Cuba, ao intervir na Assembleia Geral. Minh denunciou o bloqueio como uma violação flagrante das leis internacionais e da Carta da Onu, que atinge a economia da ilha e a vida de sua população.
O jornal do PCV destacou o chamado aos Estados Unidos para que levante o bloqueio e com esse mesmo enfoque, Tin Tuc ressaltou assim o discurso do chanceler cubano, Bruno Rodríguez.
Por sua vez, Hanoi Moi recolheu com grande deslocamento em seu espaço internacional de contrapartida, registrado com uma foto do ministro Rodríguez, o desenvolvimento dos acontecimentos durante o debate da resolução apresentada por Cuba na quarta-feira, e também detalhou as perdas causadas à Ilha pela unilateral medida de Washington.
A respeito Quan Doi Nhan Dan comentou que apesar de sua persistente negativa, Washington não pôde ocultar a veracidade de que a "parede" colocada com o fim de isolar a Havana do resto do mundo tem ocasionado muitos danos materiais e espirituais ao povo cubano.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

DENÚNCIA PÚBLICA – BLOGUEIRA YOANI SANCHEZ INSTRUMENTO DA MIDIA GOLPISTA E IMPERIALISTA

Florianópolis, 21 de outubro de 2009.


DENÚNCIA PÚBLICA – BLOGUEIRA YOANI SANCHEZ INSTRUMENTO DA MIDIA GOLPISTA E IMPERIALISTA


A Associação Cultural José Marti de Santa Catarina, vem a público denunciar a campanha midiática levada a cabo pelos grandes meios de comunicação contra a Revolução Cubana, suas conquistas, nestes 50 anos, e, seu povo. O crime cometido por Cuba foi o de se afirmar como nação soberana, auto-determinada e solidária com os povos desta grande humanidade.

Nestes momentos, os meios de “informação” (a expressão mais correta é desinformação) dão páginas e páginas para a blogueira cubana Yoani Sanchez difundir suas mentiras e atacar seu povo e seu país, desde o próprio território cubano.

As mentiras difundidas por ela são as mesmas que há décadas o imperialismo estadunidense e seus aliados e capachos, nos diferentes países e nos grandes meios de desinformação, se utilizam para detratar a realidade cubana e a magnífica obra construída pelos mais de 12 milhões de habitantes da maior das Antilhas.

A primeira mentira que cai por terra se relaciona à liberdade de expressão, visto que esta senhora vive em Cuba e posta as “suas opiniões” (entre aspas por que não são nada originais) desde Cuba.

O bloqueio econômico contra Cuba atinge todas as esferas da vida, inclusive com relação à internet. Mas a blogueira em vez de denunciar este bloqueio criminoso que persiste há quase 50 anos, culpa seu país e seu povo pelas conseqüências, pois ela nutre o sonho de fazer voltar a roda da história, sonha com o seu país como colônia norte—americana, submisso, prostituído, analfabeto, com a máfia dominando a vida social. É um sonho vão, pois o povo cubano trilha seu caminho pelos ideais de seus heróis que tombaram na luta pela independência e pela libertação nacional, pelos ideais de Marti, de Camilo Cienfuegos, Ernesto Che Guevara e, pelos heróis vivos, em particular Fidel Castro. Homens que construíram e constroem um projeto assentado no ser humano e na humanização da vida.

São imensuráveis as conquistas da Revolução Cubana em todos os aspectos da vida social do seu povo. Uma nação submissa com um povo espezinhado pelo imperialismo no final dos anos 50, se transformou em um exemplo para toda a humanidade de que é possível construir um mundo melhor baseado em valores autenticamente humanos no qual governa a satisfação das necessidades básicas e não as vis leis do mercado que submetem, subjugam, matam e agridem povos e nações inteiras em nome de um desenvolvimento e da riqueza para poucos.

Apesar da falta de recursos e do criminoso bloqueio, Cuba, há muito tempo, é um exemplo na solidariedade aos povos da humanidade. Médicos cubanos estão em quase cem países prestando seus serviços aos mais humildes e necessitados. O povo cubano através de seu governo prestou ajuda humanitária em grandes catástrofes e terremotos, em vários países. Em Cuba estudam jovens de várias nacionalidades, inclusive brasileiros, que gratuitamente podem ter acesso ao ensino universitário, que por muitas vezes não teriam em seus países.

Somos, eternamente, gratos a Cuba e seu povo, por nos ter brindado com vagas para que jovens de nosso estado e país possam cursar medicina em Cuba. Sonho quase inatingível para quem provém das camadas mais humildes do nosso povo.

Somos eternamente gratos a Cuba por ser uma referência, por seu exemplo, por sua obra, por seu povo.

Denunciamos e repudiamos o papel desempenhado pela nossa grande mídia sempre disposta a defender as piores causas, os golpes de estado, as manobras das elites, as agressões aos povos. A mesma grande mídia que hoje transforma em heroína a blogueira Yoani Sanchez. A mesma grande mídia que a cada vitória de um povo latino-americano está na linha de frente para defender os interesses do imperialismo norte-americano.

Assim foi e assim continua sendo, a grande mídia está do lado dos perdedores, está do lado do imperialismo. Com toda certeza os povos derrotarão o imperialismo e a grande mídia continuará a lamentar qualquer vitória popular, continuará a lamentar as vitórias dos povos de El Salvador, Nicarágua, Venezuela, Bolívia, Equador. Continuará a lamentar qualquer avanço no terreno político que nossos conquistem. Cada vez mais lamentarão.

A nós nos resta defender a verdade, o direito dos povos construírem seus rumos com soberania a auto-determinação, zelando pelos valores autenticamente humanos e solidarizando-se com qualquer povo agredido.

Ao final, e estranhamente, agradecemos aos grandes meios de comunicação que tão zelosos em sua vil tarefa de desinformar e transformar bandidos em heróis, nos ensina com seus exemplos como não devemos ser, como não devemos agir. Não deixa de ser um contra-exemplo.

Cuba continua cada vez mais merecendo e angariando o carinho e a solidariedade dos povos. Cada vez mais se criam, nos cinco continentes, comitês e associações de solidariedade a Cuba que dinamizam as relações, que fazem intercâmbios e troca de experiências. Nossos povos se conhecem mutuamente e crescem os laços de solidariedade

Reafirmamos nosso compromisso na defesa dos povos, em especial de Cuba e seu povo.

Viva a Revolução Cubana!

Viva Fidel!






Diretoria da ACJM-SC